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Terça-feira, 1 de Janeiro de 2008

(.) Balanças IBÊ - “A gente manda e o senhor aí bê”


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“Industrial de balanças. Gosto mais que me chamem industrial. Dantes, dizia-se que era um industrial, era um comerciante, era um agricultor. Sabia-se do que estávamos a falar. Agora, empresário não quer dizer nada, pode ser tudo e pode ser nada. Quem passa um recibo verde é um empresário, mas são mais empregados do que patrões. Gosto de manter o nome ‘industrial’. É pequenino, mas é o que é.”


José Teixeira mantém-se patrão, na empresa com um só trabalhador, ele, e um só produto: balanças. A sua oficina vem directamente desse “dantes”, com menos confusão nos ofícios, sem electrónica, em que uma balança, esse instrumento de precisão, era um objecto de ferro fundido, sólido, para durar uma vida inteira. Exactamente iguais ao que ele continua a fazer hoje, na Rua de Serralves, no Porto, nas traseiras do Hotel Ipanema Park.


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A cidade à volta alterou-se, mas a oficina das “Balanças IBÊ”, permanece praticamente igual àquela que o avô António Teixeira decidiu abrir no ano de guerra de 1942. “O meu avô trabalhava na Fábrica Portuense de Balanças, na Rua do Loureiro, mas na altura havia crise e ele montou a fábrica para fazer umas reparações. Acabou por decidir fabricar ele mesmo as balanças”, relata José Teixeira.


O desenho das balanças, com os seus fiéis levemente em forma de pássaro (há quem os tenha crismado de “patos”), foi o seu avô que o trouxe, há 65 anos. O mesmo com que o seu pai fabricou balanças até lhe entregar o negócio. Há ferro fundido em Crestuma para amaciar, tirar-lhe as rebarbas. É preciso cortar as travessas para depois serem cravadas, encaixar o braço, as forquetas, tirantes, “navalhas” e as “fivelitas”... Limas, a prensa, o esmeril, a chaves de boca, os compassos vão entrando em acção. As ferramentas estão bem ordenadas ao longo da oficina e alinhadas as máquinas, movidas por uma só máquina, que faz girar um longo eixo fixo à parede. Ao centro, imponente, a prensa usada para cortar o ferro, uma Rabor adquirida em 1963, na Senhora da Hora.


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“Se tiver a ferragem toda, demora um dia a montar uma balança”, explica José Teixeira. “O negócio tem vindo a declinar um bocado . Antes, faziam-se 20 balanças de dez quilos, por semana, era os dias todos a trabalhar. Agora, às vezes, faço mais, outras vezes faço menos, umas vezes faço cinco, outras vezes faço dez...”


E quem compra as balanças IBÊ, que saem da oficina com um preço a rondar os 60 euros? São essencialmente estabelecimentos tradicionais de artigos para o lar, como a Casa Tamegão, mas também cafés, já que, segundo conta José Teixeira, os cafés são obrigados a ter uma balança, e “em vez de comprarem uma balança qualquer, mais cara, compram esta que é decorativa”. O problema são cintilantes pesos de latão. Antes, qualquer um fabricava, com a tradicional pega de atarraxar, que permitia “aldrabar”, colocando menos ou mais chumbo no interior, conforme se pretendia vender ou comprar. Agora, os pesos são fiscalizados previamente, o que burocraticamente os torna mais caros do que a própria balança.


“Dizem que sou calmo, é difícil manter o equilíbrio, mas eu sou assim”, confessa o fabricante de balanças em terceira geração, mas sem aprendizes. “Para aprender, não há muitos interessados. Temos a máquina para ajudar, mas isto tem muito de manual para encaixar aquelas peças todas e, no final, um trabalho de precisão para ficar tudo certinho”.


Não parece haver muito futuro para estas bem pesadas balanças, mas, quem sabe? Talvez continue bem vivo o impulso que deu o nome IBÊ às balanças, que a lógica diz serem as iniciais de Indústria de Balanças, mas que José Teixeira gosta de lembrar como provindo de uma frase que o seu avô dizia aos clientes para certificar a sua precisão: “A gente manda e o senhor aí bê”.



DPontes (Texto já publicado no JN) . Fotos Leonel Castro


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» publicado por DPontes às 23:25
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2 comentários:
De Helder Santos a 12 de Janeiro de 2008 às 18:48
Gostaria que o Blog da Cidade do Porto comente com fotos onde chegam os passageiros de todo o Pais e Região Norte em Autocarro da Rede Expressos e outras companhias.

Gostaria que este comentário fosse publicado como post de forma a chamar a atenção de todos os leitores do blog.

Titulo: O Porto precisa de uma Garagem Central de Autocarros Intermodal?

Este comentário pretende chamar a atenção do blog da cidade do Porto para o calvário dos milhares de passageiros que chegam ao Porto de autocarro.

No Porto não existe uma Garagem Central de Autocarros que fique situada ao lado de uma estação de metro e de uma Gare de Comboios.

Os passageiros chegam de autocarros a vários pontos do Porto.

Exemplo os passageiros da Rede Expressos chegam a Garagem Atlântico que fica perto da Batalha e que é uma garagem de paredes muito cinzentas pintadas pelo fumo de escape dos milhares de autocarros que entram naquele espaço exíguo (cabem pouquíssimos autocarros), onde os passageiros e funcionários são obrigados a aguardar pelo autocarro respirando o fumo do tubo de escape dos autocarros.

Existem muito outras companhias de autocarros como podem comprovar na pagina do www.portoturismo.pt em como chegar ao Porto que deixam simplesmente os passageiros na rua à chuva quando chove.

Milhares de pessoas que chegam ao Porto todos os dias de Autocarro têm que arrastar a mala nas ruas porque não existe uma paragem de metro perto da paragem de autocarros da sua companhia ou têm que apanhar um táxi entre a sua paragem de autocarros e o Aeroporto ou a Estacão de Comboios.

Creio que a cidade do Porto tem interesse em construir uma Garagem de Autocarros Central que receba no mesmo local todos os Autocarros de todas as companhias de autocarros e que esteja colada a uma paragem de metro e a uma Gare Central de Comboios como Campanha.

Com uma Garagem Central de Autocarros os passageiros podem chegar ao Porto num autocarro de uma companhia e mudar confortavelmente para outro Autocarro de outra companhia que os leve ao seu destino final, ou apanhar o metro para o seu destino no Porto, eventualmente o Aeroporto ou ainda apanhar o comboio que os leve rapidamente ao seu destino final no resto do Pais.

Espero que o dono deste Blog publique a minha mensagem e espero os comentários a minha mensagem.

Helder Santos
hfrsantos@yahoo.com
De Ricardo Castro a 16 de Janeiro de 2008 às 18:03
Concordo perfeita e completamente consigo. E nem sequer sou um usuário frequente dos serviços de autocarro expresso.

Numa altura em que o Governo e oposição se degladiam por causa de um projecto faraónico como o novo Aeroporto, falta olhar para o resto do país.
Choca-me profundamente que cidades como Bragança, por exemplo, nem sequer sejam servidas por ligações ferroviárias.

Esta falta de mobilidade, especialmente para quem não pode ter carro próprio, é um factor de atraso, de impedimento a um desenvolvimento nacional.

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