(;) pesquisa

 

( ) tags

todas as tags

(») posts recentes

(.)Olá Porto

(:) Fazer-se à rua

(...) Um arquivo a explor...

(:) O Porto também é de f...

(.) Histórias do Porto à ...

(:) O Porto também é de f...

(") Cafés do Porto

(?) Os azulejos de São Be...

(:) O Porto também é de f...

(.) Se nos dessem o azul ...

(«) arquivos

Fevereiro 2012

Setembro 2011

Agosto 2011

Fevereiro 2011

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Setembro 2009

Agosto 2009

Junho 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

subscrever feeds

Quarta-feira, 27 de Junho de 2007

(…) A lenda de Matosinhos



Esta é “uma lenda fundamental e fundacional da cidade”, escreve Joel Cleto, antes de nos contar aquela que é só uma pequena amostra do mundo de histórias que nos traz a recente segunda edição de “Senhor de Matosinhos – Lenda, história, património”. Um belíssimo livro, fundamental para conhecer uma das mais populares romarias do Norte de Portugal, paragem obrigatória no roteiro da alegria, e que é também uma forma de nos encontrarmos com a história da cidade de Matosinhos. E Joel Cleto fá-lo com mão firme e inegável talento, ora leiam:


 


“Será durante este lendário transporte marítimo do corpo martirizado do santo desde a Palestina até à Galiza que ocorrerá o episódio que explica a associação da vieira a Santiago. Tal viagem, repleta de acontecimentos fabulosos e miraculosos, incluirá, com efeito, um encontro da embarcação que transporta o corpo do santo com um cavaleiro que ficará recoberto de vieiras, dando origem a esta associação e à importância simbólica que, a partir daí, esta concha assumirá no culto de Santiago. Diversas obras artísticas retratando este episódio, datadas do século XV, existentes em Itália e na Península Ibérica, não deixam grandes dúvidas sobre a grande difusão que, já então, tal lenda conheceria. Mas, que nos conta essa narrativa tradicional e para onde, para que cenário, nos remete?


Matosinhos é, desde há 400 anos, o local apontado como o da origem da associação da vieira à devoção a Santiago de Compostela. Desde então praticamente todas as versões redigidas da lenda, em Portugal, mas também em Espanha (Castellá Ferrer 1610, Cunha 1623, Cardoso 1666, Huerta y Veja 1736, Pinto 1737…) indicam como palco dos acontecimentos um vasto areal no lugar de Bouças (designação, até ao início do século XX, do actual concelho de Matosinhos). Foi esse o local escolhido, pela sua vastidão e largueza, pelo grande senhor romano da região, Cayo Carpo, para realizar as festas do seu casamento. A praia do Espinheiro. Correria o ano de 44 d.C.


Durante tais festividades, o noivo desafia os restantes cavaleiros para uma corrida invulgar de cavalos: venceria quem conseguisse penetrar mais longe mar adentro. Iniciada a prova, rapidamente Cayo Carpo se destacará dos restantes competidores. Para sua surpresa, e de todos os que permanecem no areal, o seu cavalo avança, desenfreado, em direcção ao horizonte e, miraculosamente, cavalgando sobre as águas semse afundar. Mas as surpresas não terminam para o senhor romano pagão. Maravilhado constatará que a sua montada se dirige para um barco, em pedra (!), que passa ao largo. Trata-se da embarcação que, velozmente e em apenas três dias, transporta o corpo de Santiago desde a Palestina até à Galiza. Perante os milagres de que é testemunha participativa, e face às explicações dos tripulantes do barco, Cayo Carpo converte-se nesse instante ao cristianismo.


Durante o seu regresso a terra, onde a multidão espera expectante e maravilhada por uma explicação, o noivo e o seu cavalo desaparecerão engolidos pelas águas do mar. E, quando a apreensão se começa a instalar entre as gentes, eis que o cavaleiro e a sua montada ressurgem já muito próximos do areal. Mas, novo milagre se havia processado: Cayo Carpo e o seu cavalo vêm completamente recobertos de vieiras, convertidas, a partir daí, num dos símbolos de Santiago. Nalgumas versões da lenda este episódio das conchas ocorrera antes, durante a cavalgada em direcção ao barco.


Nas narrativas mais antigas que conhecemos escreve-se que Cayo Carpo e a sua montada surgem na praia totalmente “matizados” de vieiras e, por tal motivo, este senhor romano passará a ser conhecido, desde então, por “Matizadinho” e, o local onde tudo isto se passou, por praia do “Matizadinho” – topónimo que evoluirá, durante os séculos seguintes, para Matosinhos”.



 



(



(imagens retiradas do livro) DPontes

» publicado por DPontes às 23:50
» link do post | » comentar | » adicionar aos favoritos
1 comentário:
De Isabel a 28 de Junho de 2007 às 23:46
Estou sempre a aprender !!!!!
Gostei do texto.

» comentar post